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Pesca no Rio Negro 2013 em Barcelos/AM

Pesca no Rio Negro 2013 em Barcelos/AM

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Uma pescaria realizada por um grupo de amigos pescadores com o desafio da captura do tão sonhado e cobiçado tucunaré-açu de dois dígitos nas águas escuras do rio Negro

Diante das adversidades encontradas no fim da temporada de pesca na região de Barcelos de uma pescaria realizada debaixo de muitas e fortes chuvas, subida diária do nível rio rio e instabilidade na ação dos peixes, nossa equipe  transforma as dificuldades em desafios, tendo em mente que será preciso uma boa dose de determinação para ter sucesso. O resultado foi recompensador que surpreendeu com a quantidade e porte dos tucunarés encontrados durante a empreitada.

Pescaria realizada no rio Negro na região de Barcelos (AM)  de 16 a 23 de fevereiro de 2013

Ficamos instalados no Kalua barco-hotel com apoio do barco Tempestade

Partimos de Barcelos subindo o rio Negro com paradas em  pontos estratégicos nas proximidades dos afluente Cuiuni, Aracá e Demini.

Atracações: rio Cuiuni  –  cachoeira  –  bifurcação (rio Aracá e rio Demini)  –  furo  – rio Negro

No Aracá encontramos águas ainda baixas, fato denotado pela  presença de bancos e praias de areias bem brancas, que contrastam com a cor da água formando belas paisagens. Mas a chuva cai com força, fazendo o nível do rio subir uma média de 20 a 25 centímetros por dia.

A AVENTURA DE PESCA SE INICIA

A aventura se inicia em Manaus/AM  no  Aeroporto Internacional Eduardo Gomes onde o grupo de amigos pescadores se encontra,  composto por Eu, Isabel Pellizzer, e meu marido Sergio Pellizzer, João Paulo, Domingos Bomediano (pescador esportivo e administrador dos fóruns de pesca, o Pescaki, o Peskbem e o Spainbass) Lusca Pacheco (pescador e apresentador do programa Pesca Alternativa), Zacarias Barbosa (cinegrafista), Ian Arthur Sulocki, Alexandre Mega, Otávio Chaves e os novos amigos de Jacareí (SP): Mazzeo, Juliano, Bruno e Adriano. Após apresentações e colocar o papo em dia, alguns seguiram para o hotel e passeio pelo centro de Manaus e nos, Eu e Sergio, na companhia de Zenizir Rodrigues da Silva (pescador e  apresentador do Programa Pesca Amazônia)  fomos ao Shopping Manaura. No dia seguinte, cedinho, partimos levado por uma Van até o Terminal “Eduardinho” do aeroporto de Manaus para embarque em voo  rumo a Barcelos

 PESCARIA

Após uma breve e descontraída reunião com o grupo de pescadores sobre os procedimentos de pesca pela equipe do Kalua, composta por Ian, Alexandre, Otávio e o comandante Edmilson – regada por petiscos e bebidas a gosto – tivemos nossa primeira investida, de 1/2 dia de pesca, que se resumiu em um aquecimento para os braços e para nos adequarmos com o local de pesca pelas águas escuras/pretas do rio Negro no ponto próximo ao afluente, Cuiuni, neste dia.

PEIXES SEM PADRÃO DE ATAQUE 

A “teoria” da alteração do comportamento do peixe nessa situação parece se confirmar pela sua instabilidade nos ataques, deixando confusa a escolha de pontos de pesca e das iscas artificiais. As investidas acontecem tanto na superfície como abaixo dela com capturas ocorrendo em lagos, não só em suas margens como também no meio deles, além de outras nas praias do rio.

Porém, seguimos determinados sem desprezar nenhum ponto ou tipo de isca que é compensado por um nível de ações que nos surpreende alegrando tanto veteranos quanto debutantes na pesca do açu.

ENTRE  “BORBOLETAS” e “POPOCAS” 

Os lagos do Demini  resultaram em uma centenas de tucunarés popocas (Cichla monoculus) e borboletas (Cichla orinocensis )   que fizeram a festa nas constantes fisgadas, proporcionando muita ação e diversão pela quantidade, esportividade e beleza destes tucunaré . Era de perder a conta  se não fosse pelo controle de somar de nosso guia, Orlando.

tucunaré- popoca

tucunaré- popoca

tucunaré-borboleta

tucunaré-borboleta 

CAPTURAS MAIS MARCANTES

AÇUS DE RESPEITO : sua  tomada de linha é de tirar o equilíbrio do pecador na proa do barco 

Mas os cobiçados açus aprecem e tudo muda ao encontrarmos os lagos certos (conhecidos um pelo nome de Travessa e de Trancado) ambos de águas de cor escuras.  Encontramos os vorazes açus de 4 a 8 kg, fruto de  nossa determinação em manter o foco nos tucunarés-açus (Ciclha temensis) realizando incansáveis arremessos atrás dos gigantes do rio Negro que não nos decepcionaram e vieram para as fotos fazendo nossa alegria!!!! 

Duas destas capturas marcantes acontecem de formas semelhantes dentro de um lago, ou melhor, uma em sua boca e a outra em seu canal de acesso. Depois de batermos toda a sua extensão sem obter ações expressivas, e já no final de um dia inteiro de pesca e eu com o braço cansado pedindo arrego e os dedos das mãos doloridos e cheios de bolhas e bandaid, mas com sede do belo açu peço ao guia aguardar, para que eu faça arremessos em pontos que instintivamente acredito serem produtivos, e dar umas “paradinhas” neste pontos citados acima, onde havíamos tido boa quantidade de ataques na superfície que, contudo, não se concretizaram em fisgadas. Dando por encerrada a incursão  a estes pontos, meu companheiro Serginho até se senta, enquanto faço os arremessos. Um vai longe bem no meio da boca do lago e no terceiro “toque”, o açu explode na isca e não erra. Muito forte, o peixe quase me arrasta para a água, mas aos poucos se rende. No outro caso passo a boca do lago arremessando sem parar de acreditar no ataque de um bom açu, dois açus passam como foguetes por baixo de minha isca e sem dar tempo de pensar eles voltam e o ataque de um deles é certeiro e forte na tomada de linha. Ambos veem para as fotos, é pura alegria!

AÇU NO ENROSCO – Outro episódio marcante e merecedor de menção honrosa

Nos dois últimos de pesca nós já satisfeitos com o resultado da pescaria de açus e com  o barco Kalua descendo o Negro que estava cada vez mais cheio com apresentando mata de igapó  (mata que fica submersa metade do ano ou enquanto durar a cheia), resolvemos investir no peixe de couro, mas infelizmente não tivemos sucesso e a captura ficou somente com uma raia pintada que foi fotografa no anzol mesmo e as famigeradas piranha comedora de iscas.

E no final de manhã quando entramos em um lago com suas águas já altas  desejando um peixe de porte mediano para o assado do almoço. Com seu rubber jig (jig com cerdas de borracha), Serginho fisga um tucunaré próximo a algumas pauleiras na margem. Sem pestanejar, o bocudo se enfia no enrosco e por lá fica. Nosso prestativo guia também não pensa duas vezes antes de mergulhar para o “resgate”, seguindo a linha costurada por entre os paus até chegar ao peixe. Orlando volta para o barco trazendo nas mãos o açu, cujo tamanho é maior que nossa necessidade. Resultado, o animal é solto e nos contentamos com o lanche e as frutas trazidas pelo guia.

MAIS AÇUS CAPTURADOS

AÇUS EM AÇÃO

TUCUNARÉ-AÇU DA MINHA VIDA!!!

Com o barco-hotel atracado no ponto conhecido por  bifurcação ou cachoeira  ponto em que o rio Demini (águas brancas) e o Aracá (águas pretas, mas transparentes) desembocam no Negro – saímos cedinho e cheios de expectativas e nossa primeira tarefa foi chegar ao lago Chidaua (água preta)  que deu um bocado de trabalho, mais para o nosso guia de pesca, o Orlando,  em ultrapassar as barreiras de galhos e troncos caídos pelo caminho do seu canal de acesso – paranã. Enfim chegamos ao lago e encontramos os tucunarés manhosos, com poucas investidas e sem padrão de ataque – um lago com presença de vegetação como molongós e emburitizeiros.

Mas foi neste Lago que peguei o tão sonhado e cobiçado tucunaré-açu de dois dígitos  ultrapassando os 10 kg na balança fish grip. O guia avisa e aponta movimento de peixe de bom tamanho na superfície do lago. Fomos em sua direção, me concentro no arremesso e Serginho, meu mardo e parceiro, sem esperar chegar no ponto, arremessa antes e fisga um peixe e em seguida faço o arremesso aonde o guia havia indicado, começo a recolher a isca de meia água (aile magnet sistem de 12,5 cm na cor branca e verde limão) e sinto um tranco que toma linha, fisgo por duas vezes. Após alguns minutos o troféu é embarcado e no momento que é pego no alicate e erguido para o embarque pelo guia, que olha para a balança, e diz: dez quilos!  Foi muita alegria no barco, todos comemoram! Logo no primeiro dia, pra valer de pesca, com o contra de inicio de enchente e mudança de comportamento do peixe, vem um açu que é sonho de muitos pescadores, e claro, inclusive o meu…

PIRANHA CHIDAUA – Chidaua é nome de uma espécie de piranha sendo o mesmo nome  dado ao lago em que peguei o troféu da pescaria. Sua captura aconteceu no  dia em que pescamos  subindo a foz do Aracá passando pelo  Lago do Macaquinho.

OUTROS PEIXES entraram em nossas iscas mostrando as diversidades de peixes esportivos do rio Negro

TRANSPOSIÇÃO DE PARANÃS ATÉ OS LAGOS

É com espirito de aventura que adentramos nos lagos de  afluentes como Demini, Araçá e Cuiuni. Alguns tem seu acesso interrompido pela quantidade de troncos e galhos caídos pelo caminho, exigindo um trabalho extra dos guias. De terçado (nome regional para o facão) na mão e “operação matemática” na cabeça ( algumas vezes não houve necessidade de cortar os galhos e sim estratégica de como posicionar o barco e passar entre eles), o experiente guia Orlando Fonseca segue  passagem pelos estreitos paranãs até chegar aos lagos. Algumas poucas vezes é necessário descer da embarcação e arrastá-la por sobre as pauleiras  e também prestar atenção nos perigos como  a presença do marimbondo caba

MARIMBONDO CABA:  um dos perigos na travessia

CENÁRIOS SINISTROS NOS PARANÃS

As árvores altíssimas, com “pés n’água”(áreas de igapó – mata que fica submersa metade do ano ou enquanto durar a cheia), emaranhadas por cipós e envoltas na neblina da manhã (chamada de “neve” pelos ribeirinhos), criam um ambiente um tanto sinistro, mas o cenário logo se transforma ao adentrarmos os lagos.

IGAPÓS:  mata que fica submersa metade do ano ou enquanto durar a cheia

ALGUNS LAGOS (chidaua, trancado, travessa, troiado)

ASSADO DE PEIXE NA BEIRA

Quando o tempo ajudava fazíamos paradas de descanso e um assado na beira do rio

CHUVA: Ela chegava anunciada em forma de uma “zuada” (barulho feito pela chuva ) forte pela mata  a sua aproximação, era correr por a capa de chuva e esperar ela diminuir de intensidade e voltar a pescar

ACIDENTE NA PESCA – todo cuidado  é pouco

JABUTICABA AMAZÔNICA (Myrciaria dúbia)outro destaque na pescaria

Um olhar atento sobre as margens dos rios amazônicos poderá revelar um pé de camu-camu (também conhecido por caçari e araçá-d’água), pequena árvore da família da mirtáceas, de alto valor nutritivo, cujo fruto é riquíssimo em vitamina C (com 260o mg por 100g de fruto) superior ao encontrado na maioria das plantas cultivadas, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Na natureza, a frutificação geralmente ocorre de novembro a março e a árvore é capaz de ficar submersa por mais de quatro meses, e a dispersão de suas sementes é feita principalmente pelos peixes. O fruto do camu-camu, também chamado de “jabuticaba da Amazônia”, pode ser usado como isca para peixes onívoros e ainda rende um nutritivo e refrescante suco quando maduro.

IMAGENS DE PAISAGENS

LUAU –  as emoções não param

Um luau realizado em uma praia de areias branquíssimas, com direito a velas espalhadas pelo chão, palmeiras fincadas na areia, churrasco e drinques à vontade nos proporciona outro momento inesquecível, simbolizando nossa despedida da Amazônia ao Rio Negro.

Fazendo um balanço da semana de pesca, mesmo com a chuva que nos acompanhou do início ao fim, pode-se dizer que fomos bem-sucedidos, finalizando com muitos quilos extras na balança e comemorados por todo o grupo de pescadores. Tucunarés popoca e borboleta, além de coadjuvantes como traíras, bicudas, saicangas, e jacundás – e, é claro, os cobiçados açus, tornaram nossa viagem completa.

Esta  pescaria reuniu, além do encontro com os desejados açus, teve a natureza, os amigos em momentos de descontração nos traslados, nos encontros após pescarias, passeios em Manaus e jantar em Barcelos

Aos companheiros e amigos do grupo: Ian de Sulocki, Lusca Pacheco, Zacarias Barbosa, Alexandre Mega, Otávio Chaves, Edmilson, João Paulo, Domingos Bomediano, Bruno, Adriano, Mazzeo, Juliano, meu marido Serginho e nosso grande guia, Sr. Orlando, dedico a captura desse que é o tucunaré da minha vida – pelo menos por enquanto!

 RETORNO A MANAUS: num voo fretado

João Paulo, Zacarias, Serginho, Bel, Adriano, Bomediano, Mazzeo, Juliano, Bruno, Lusca, Ian

GUIA DE PESCA: Sr. Orlando dos Santos Fonseca

Aproveito para homenagear e agradecer a  atenção, dedicação e paciencia do guia em ir atrás dos peixes em locais de dificil acesso, passar orientações de pesca, indicar movimento de peixes. Com certeza foi responsável por grande parte do sucesso de nossa pescaria. Valeu Orlando, obrigada e até a próxima!!! Sr. Orlando também contabilizava todos os peixes pegos em quantidades e os açus acima 3 kg

guia de pesca Orlando dos Santos Fonseca

SAIBA MAIS

Barcelos: Situa-se à margem direita do rio Negro. O município fundado em 1931 foi a primeira capital do Amazonas, em 1758. Com área territorial de 122 476 km², é o maior município do Estado do Amazonas e o segundo maior do Brasil, atrás de Altamira (PA), com uma população de menos de 30 mil habitantes. Faz limites com a Venezuela e Roraima. Uma cidade cercada por águas e  um de seus grandes atrativos turísticos é a pesca esportiva do tucunaré-açu

Rio Negro: Nasce no leste do Colômbia, fazendo fronteira com a Venezuela e a ligação com a bacia do Orinoco. Entra no Brasil com o nome de Negro, segue na direção sudeste e, em Manaus, se integra ao Rio Solimões formando o Amazonas. A cor escura que originou seu nome é decorrente do tingimento de suas águas por ácidos orgânicos (húmicos) resultantes da decomposição de folhas das árvores com elevado grau de acidez, com pH 3,8 a 4,9, inadequado à proliferação de mosquitos. É “temperado” com águas claras e brancas de alguns de seus afluentes, mas a cor preta predomina até seu encontro com o Solimões.

AGRADECIMENTOS:

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 Barco-hotel Kalua     

 www.kaluapesca.com.br

 Reservas: e-mail: otavio@kaluapesca.com.br

 fones: (21) 9632-6252 (Rio de Janeiro)  /  (92)8199-0641 (Manaus).

MAIS INFORMAÇÕES:

 Matéria publicada na revista Pesca Esportiva  desta pescaria- edição 187 – maio 2013

  “Peixes em Altas, Águas também” 

confira também Destinos de Pesca:  

 “Barcelos/AM – rio  Negro

Sobre isabelpellizzer

Sou do interior do estado de São Paulo, Paraguaçu Paulista, casada com Sergio Pellizzer há 31 anos, mãe de dois filhos, Marcelo (30 anos) e Caio (27 anos). Formação: Engenheira Agrônoma e Técnica em Agrimensura. Paixão: Pescadora Amadora Esportiva desde 1997 que gosta de compartilhar suas experiências na pesca. Colaborei com matérias de pesca por 8 anos seguidos com a revista Pesca Esportiva e, no momento, colaboro com a revista Pesca e Cia. Amante da Natureza com especial admiração pelas aves e plantas. Quando as encontro nas pescarias, faço os registros e identificações, igualmente faço aos peixes. Atualizado: 21/04/2016
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6 comentários

  1. Cara,

    Bel, excelente matéria acabei vendo esses dias. o Tio Mingo esta ficando gadernal mesmo nem me falou da sua matéria
    ficou muito legal gostaria de estar la agora pescando de novo.Vendo as fotos da saudades. E o Grande Serginho esta
    legal ? Espero que vcs estejam bem!

    UM FORTE ABRAÇO
    AO CASAL 21 KKKK
    MAZZEO

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